sábado, 12 de janeiro de 2013

Pássaro preso.

             A gente acredita que os outros querem nos ajudar, mas a verdade é que ninguém quer. É muito mais fácil, pra cada um, continuar com seus pensamentos e convicções do que tentar mudar e melhorar a vida do próximo. Por um momento tive a doce ilusão que meus pais tentariam ajudar, minha vida melhoraria, esse vazio enorme acabaria, não haveria mais motivos para cortes e tudo se tornaria mais simples. Mas a verdade é que eles não vão mudar nunca, eu nunca serei a garota que eu sempre sonhei ser. Eu nunca viverei a minha vida e sim a vida deles, as escolhas deles. Sempre haverá motivos para lágrimas, sempre haverá dor, sempre haverá cortes, até que um dia seja tarde demais, até que um dia um desses cortes me traga a, tão sonhada, eterna paz. São inúteis os remédios, são inúteis os tratamentos.

             Eu vejo a felicidade pela minha janela, tão perto tão linda, mas não consigo alcançá-la. Há uma barreira invisível que me pede de alcançá-la. Minha janela é alta, de cima eu vejo a felicidade com perfeição, eu quero muito senti-lá, meu corpo estremece, meu coração acelera, minhas mãos soam, eu quero muito essa tal felicidade. Eu possuo azas, eu poço voar, eu não me machucarei ao descer de onde estou, eu poderia ir cantando e levar mais felicidade para o restante das pessoas que estão lá embaixo cantando. Mas, não posso, a barreira invisível me impede, minhas azas não me servem, meu conto paralisa, as lágrimas vem, a tristeza vem junto e os cortes também. Querem que eu cante, que traga felicidade de onde estou, mas onde eu vivo, aqui em cima, é tudo muito triste, minha voz não saí, não há motivos para cantar, não há porquê de ser feliz. Mas eu tento me conformar, tento pensar que um dia a barreira cessará, quando os anjos do mal já não existirem mais. E enquanto isso eu sofro, eu choro, eu me corto na esperança que pelo sangue escorra toda a minha infelicidade.

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